O dia 55 abre com o placar batendo R$ 243.784,56 de ARR e 157 assinantes — número que, ele mesmo mostra puxando o próprio gráfico de faturamento, tinha caído de R$ 245 mil para R$ 243 mil de um dia para o outro. Antes de tocar em código, ele faz questão de mostrar essa queda ao vivo: a curva do negócio não sobe em linha reta, sobe e desce todo santo dia, e o que importa é a média das últimas semanas, não o pico isolado de um lançamento. É dia de soltar a versão 1.3 do Overclock, e a live inteira vira um checklist ao vivo de 18 itens pra validar cada correção antes do build sair — puxado ao mesmo tempo por uma contagem coletiva do movimento Vibe in Public: mais de 100 horas de live somadas pelos criadores da comunidade construindo em público junto com ele.
O primeiro entregável do dia é o Overclock Shot, um aplicativo de captura e gravação de tela criado pra resolver um problema específico dele: o print nativo do Mac salva num arquivo temporário que expira se a fila de tarefas demora, e um vídeo gravado normal roda a 29,7 quadros por segundo — a taxa que o olho humano percebe, historicamente descoberta a duras penas pelos cineastas mudos. Mandar isso direto pra um modelo analisar significa pagar por cada um desses 30 frames, a maioria deles sem nenhuma mudança relevante. A solução que ele mostra ao vivo é decompor a gravação em frames com um FPS configurável — um ou dois quadros por segundo —, reduzindo drasticamente o consumo de tokens em qualquer debug visual. Junto com o Shot saem dois outros lançamentos: o Overclock Headline, um painel de telemetria pra medir a "linha vermelha" do uso — se o usuário está de fato batendo o teto dos seus limites de plano —, e o Cofre, um cofre de tokens e segredos que ele descreve como criptografado localmente ("criptografado em 256, alguma coisa assim", sem fechar o padrão exato), escopado por workspace, pra parar de guardar credenciais expostas nos secrets do próprio Claude.
No meio do checklist, ele para pra explicar a tese que sustenta o produto: Harness não é abrir um terminal dentro de um pane, isso é só "trocar de chuteira". Harness é o orquestrador escolher automaticamente, com base no banco de benchmarks do próprio Overclock, qual modelo delega pra qual tarefa — um Fable 5 caro bancando o briefing estratégico e modelos mais baratos (Kimi K3, Grok 4.5, Opus 5) executando a tarefa em si, porque o token de saída é sempre o mais caro da conta. Ele também chama atenção pro detalhe que quer que a audiência anote: o GPT 5.3 Codex Spark roda num limite semanal separado do limite principal do GPT, visível digitando /status — então delegar tarefas menores pra esse modelo específico não consome a cota principal. E repete a régua de sempre: escrever o prompt em inglês economiza cerca de 30% de tokens, porque o português usa mais sílabas pra dizer a mesma coisa.
O resto da checklist vira dogfooding puro: ele mesmo é quem mais usa o Overclock, desenvolve o Overclock dentro do próprio Overclock, e cada bug reportado pela comunidade — atalhos nativos do macOS batendo com os do Shot, tela cheia sobrepondo a barra superior, workspace perdendo o grid ao reabrir — é corrigido ao vivo, na sequência, um item de cada vez. No meio disso a live vira vitrine: ele entra ao vivo nos canais de quem está fazendo Vibe in Public — Martin Blum construindo um app pra parar de fumar, Caio estudando cyber security em público, Bedzinho, que apagou uma live por medo de vazar algo sensível do próprio projeto —, lê em voz alta o manifesto do movimento e anuncia dois eventos: uma vaga de emprego presencial em Porto Alegre e, pro dia seguinte às 16h, um evento pra cinco pessoas da comunidade apresentarem o próprio SAS ao vivo na live dele. Quando a audiência bate 200 pessoas simultâneas, ele libera cupons de 67% de desconto por três meses — que esgotam tão rápido que ele solta mais dois de última hora.
A live fecha tentando um recurso que nunca tinha testado: redirecionar o próprio tráfego pro canal de outro criador assim que encerrasse, pra doar audiência pra quem está começando. A primeira tentativa falha — o alvo já tinha saído do ar — e a segunda esbarra num erro simples de permissão do YouTube, arrancando dele um "Ah, não acredito, velho" ao vivo. Sem conseguir redirecionar o tráfego, ele improvisa e manda pra tela um vídeo próprio de conversão. Fecha em R$ 265 mil de ARR — um salto de cerca de R$ 30 mil só durante a live —, com recorde de 257 espectadores simultâneos e a versão 1.3 saindo do forno enquanto ele já confirma presença pro dia seguinte, 14h, pra continuar.
