A live 63 começou atrasada — um problema técnico para subir o stream — e abriu com o painel de ARR mostrando R$363.150,36, longe ainda da meta de R$1 milhão. Antes de tocar em código, Laschuk passou a primeira hora inteira em tese: puxou o conceito de agente vertical da Y Combinator para explicar, com o exemplo de um escritório de contabilidade dividido em departamento pessoal, fiscal e contábil, por que uma IA vertical só funciona resolvendo uma única dor, fundo, em vez de empilhar funcionalidades genéricas. O aviso ao vivo: quem monta um "hub" cobrindo várias áreas ao mesmo tempo erra o modelo — o certo é escolher a dor que a pessoa já vive todo dia.
Foi nesse embalo que ele revisitou a origem do próprio Overclock, comparando com o BridgeMind, referência que cita sem rodeios. A diferença, segundo ele, é que os terminais do BridgeMind não se comunicam entre si, enquanto o Overclock permite que os panes conversem direto pelo MCP — rodando Fable 5 numa aba, Sonnet 5 em outra, sem que o gestor precise copiar contexto na mão. Ele contou que o produto nasceu de uma dor sua (gastar o limite semanal do Sonnet antes de precisar assinar mais contas) e de um pedido específico de um usuário da comunidade, o Felipe, do Nordeste, que queria poder usar o modelo MiMo, da Xiaomi, dentro do fluxo.
Com a tese explicada, veio o ritual: ele abriu a skill superpowers brainstorming num pane de Sonnet 5 para fechar o planejamento da semana, prática que diz repetir todo domingo à noite. Saíram dali seis metas fixadas ao vivo — lançar um novo loop de newsletter no Vibe in Public, entregar a versão 1.4 do Overclock, lançar a 1.0 estável do Overclick, bater R$400 mil de ARR até sexta, publicar cinco vídeos e cinco reels — mais um pacote de ajustes de funil (e-mail de carrinho abandonado, oferta de upsell na assinatura, oferta de plano anual e rastreio de 100% do tráfego até o checkout). Cada item virou um card no próprio Overclick, o board open source que ele mantém em paralelo ao produto pago, instalado ali na hora via MCP com um token de pareamento gerado ao vivo.
O projeto do dia nasceu de uma sugestão da plateia: clonar, em Mac, o recurso do Windows que mostra a prévia das janelas abertas ao passar o mouse sobre o ícone na barra de tarefas — algo que o Dock do Mac não faz nativamente. Batizado ali mesmo de Open Door ("nome ficou ruim, né?", ele mesmo admitiu), o build rodou com um harness dividido entre quatro modelos: Fable 5 no esqueleto e na detecção de hover do Dock, Sonnet 5 numa parte da interface, Kimi K3 fechando a interface final e um pacote de scripts mecânicos delegado ao Haiku, com uma passada de revisão de código antes de validar. O board do Overclick foi mostrando o custo de cada card em tempo real — o esqueleto saiu por US$1,47, o detector de hover por US$0,31.
A primeira versão rodou com defeito: passar o mouse sobre o ícone não disparava a prévia na primeira tentativa, só depois de tirar o cursor e voltar. Em vez de descrever o bug em texto, Laschuk abriu o Overclock Shot, uma ferramenta própria de gravação de tela, marcou a área do problema, reproduziu a falha e gerou uma sequência de frames que entregou direto ao agente para debugar — sem escrever uma linha explicando o que via na tela. Corrigido esse ponto, sobrou uma limitação anotada para depois: janelas minimizadas não aparecem na prévia.
A tarde fechou como o gráfico da Stripe que ele mostrou na tela: subindo e descendo. O ARR passou de R$361 mil (depois de absorver um churn) para algo entre R$374 mil e R$375 mil, e a live encerrou com o painel perto de R$365 mil, ainda abaixo da meta de R$400 mil fixada minutos antes. No Instagram, ele girou um kit de fechamento — repositório do Overclick, curso de duas horas e o pacote "clique de vibe coding" — em troca de um comentário, e comemorou as estrelas do repositório subindo de 35 para 44 ao longo das três horas de live, com a meta declarada de chegar a 100.
