A live 70 abre torta: a câmera Blackmagic simplesmente para de funcionar e Laschuk segue no ângulo que sobrou. O placar do dia é R$ 415 mil de ARR — ele conta que a semana começou em R$ 400 mil na sexta-feira anterior e que a meta é fechar entre R$ 420 mil e R$ 450 mil, admitindo que a semana está pesada porque investiu tempo demais em código e de menos em vendas. Antes de abrir o editor, ele expõe uma dúvida que diz carregar há noites: se o Overclock Bot deveria nascer open source, e qual estratégia sustentaria isso sem quebrar o negócio.
A primeira ação prática do dia é resolver um bug de verdade: o Felipeira reportou um problema de instalação no Windows, registrado como OVK-260, em que o instalador encontrava o app mas a abertura pela interface gráfica não herdava o caminho de instalação feito pelo usuário. Laschuk usa esse caso para explicar a política de harness do Overclock — a analogia é a de um time de futebol e seu aproveitamento: cada tipo de tarefa é roteado para o modelo mais adequado, e o bug do Felipeira cai automaticamente para o Sol Max resolver. A correção vira uma pré-release Windows-only da versão 1.3.17, enviada para o Felipeira validar antes de virar release oficial. No meio disso, ele mostra o Redline e o Headline apontando quanto de cada assinatura de IA (Claude, Kimi, Cursor, Antigravity) já foi consumido e quando cada janela de uso reseta.
Para quem chegou pela primeira vez, ele reconta a própria trajetória: começou como designer querendo ganhar o FWA, teve a ideia de animar sites com jQuery recusada pelos colegas, migrou para marketing digital, e foi migrando de estágio em estágio no vibe coding — exportando functions do ChatGPT para Cloud Run, gastando R$ 10.000 no Lovable, até finalmente montar sua própria interface em cima do VS Code, batizada de Overclock. Dali nasceram o Overclick (gestão de tarefas, já com mais de 1.000 downloads e 92 estrelas), o Shot (prints para debug), o Headline (monitoramento de consumo de IA) e o Voice (comandos de voz até três vezes mais rápidos que digitar).
O ponto de virada do dia é um vídeo antigo de Elon Musk que viralizou nos últimos dias: nele, Musk afirma que em um ano 100% do código será escrito por LLMs e que em até 12 meses o Grok Bot será a ferramenta número um para construção agêntica de sistemas. É esse vídeo que faz Laschuk decidir construir seu próprio clone do Grok Bot — o Overclock Bot, ou 'Clockinho' — sem travar numa única CLI. Ele apaga a VPS usada no dia anterior, contrata uma nova na Hostinger ao vivo (mostrando IP e senha na tela, algo que a própria audiência questiona; ele responde que o risco é o mesmo de usar o Grok Bot, porque é uma VPS descartável), faz o onboarding do bote — nome, piloto em Claude Code/Opus, regras da casa — e monta o time de CLIs que o Clockinho pode acionar: Claude Code, Codex, Kimi e Grok.
A instalação dentro da VPS emperra várias vezes: sessão que não persiste, cloud code not found, login que desloga sozinho — tudo corrigido ao vivo assumindo o controle remoto do computador do bote. Depois de destravar as quatro CLIs, Laschuk dá ao Clockinho uma missão de prova: montar sozinho, via um squad chamado Cinema, uma landing page do Overclock em estilo Dark Terminal Hacker, com front-end em Kimi K3 e um Design Scout rodando em Grok. O Clockinho toma as decisões de briefing sem intervenção (CTA, direção visual, identidade) e dispara os workers em paralelo — o momento em que Laschuk resume o dia com "Recriei o Grok Bot em 24 horas. Recriei o Grok Bot em 24 horas. Só que tem uma diferença, tá? Aqui eu uso qualquer Cai que eu quiser. Não fico preso a CLI do Grok Bot."
Com o squad rodando sozinho, ele estima o gasto do projeto em R$ 10.000 — a conta que ele mesmo faz na hora é a de 3 meses de Overclock a R$ 3.000 por mês em assinaturas de IA, já que o Overclock existe há 3 meses — e que uma VPS na faixa de R$ 50 por mês já basta para rodar cinco CLIs em paralelo 24 horas por dia. Puxado pela audiência, ele começa a rascunhar como o Clockinho chegaria ao celular: a proposta do próprio bote é um relay estilo Tailscale, mantendo a VPS numa rede privada sem porta SSH exposta ao mundo, e Laschuk chega a baixar o Xcode e mencionar o Apple Developer Program para tentar um build iOS ainda hoje, sem fechar nada. Ele também esclarece que o ARR não é caixa líquido, e sim uma projeção de receita em 12 meses, com o faturado do momento perto de R$ 100.000 e o líquido em torno de R$ 90.000. A live termina com o Clockinho rodando em loop durante a madrugada, a promessa mantida de abrir o Overclock Bot como open source se uma live bater 500 likes, e o convite de sempre para a audiência ir prestigiar quem também está construindo ao vivo — hoje, Martin Blum.
