O dia 9 começou com a receita passando de R$ 4.673,87 em vendas por e-mail marketing e uma promessa: falar menos, executar mais. Guilherme mostrou o que tinha terminado de madrugada — um assistente de voz batizado de Jarvis, capaz de ver a câmera, ler a tela, pesquisar na web, puxar transcrição de vídeo do YouTube e operar o Active Campaign por comando de voz. A prova de conceito veio ao vivo: pediu para o Jarvis ler uma notícia sobre Gabriel Jesus e o Palmeiras, transformar aquilo em e-mail com os nomes de quem estava acompanhando a live, revisar o texto (cortando um "recesso de Natal" que não fazia sentido) e disparar a campanha para a base de teste. Funcionou, e o e-mail chegou.
Daí para frente a live virou um teste de estresse em tempo real. O Jarvis errou nomes do chat, ignorou perguntas de espectadores, teve a ferramenta de transcrição do YouTube quebrada o tempo todo e, num momento de tensão cômica, foi acusado ao vivo de ter sofrido um "prompt injection" por simplesmente não responder quem mandava mensagem. Também recusou, de forma consistente, o pedido para abandonar a formalidade e contar piadas — mantendo a personalidade como regra dura, não sugestão. A audiência sugeriu até vender assinatura de R$ 50/mês para usar o Jarvis, mas a ideia foi descartada na hora por não se conectar à meta real do projeto: vender R$ 1 milhão através de e-mail marketing.
A virada estratégica do dia foi decidir que o Jarvis não seria só uma curiosidade de bastidor, mas a base de um sistema operacional próprio — a interface que permitiria a qualquer pessoa (gestora de e-mail ou não) operar ferramentas de marketing por voz e texto, sem depender de estar na frente do computador. O nome Jarvis foi descartado ao se descobrir que já é marca registrada da Blackberry; o time buscou alternativas ao vivo até fechar em Overclock, e o domínio overclock.sh foi comprado na hora, ao vivo, por R$ 250.
O resto da live foi trabalho de fundação, sem grandes vitórias: configuração de banco de dados (Supabase) para o novo projeto, tentativa de clonar uma landing page usando uma skill de clonagem de sites encontrada no GitHub Trending, e uma investigação longa e frustrante sobre como usar sessão (em vez de API key) do open cloud/Claude para economizar tokens compartilhando uma mesma sessão entre múltiplos "funcionários" agentes. A conexão foi parcialmente resolvida no fim, mas sem o polimento desejado.
A live fechou sem vitória espetacular, mas com o argumento central reforçado: o email hacker AI não é um SaaS, é um agente vertical que assume o trabalho repetitivo do gestor de e-mail marketing brasileiro — e o Overclock nasceu ali, no dia 9, como a interface que deveria carregar essa operação para fora do computador.
