Dia 18 começa carregando o cansaço (e o orgulho) das doze horas de imersão do dia anterior, que bateu 210 espectadores simultâneos e passou por 12 mil visualizações. A pauta é dupla: colocar no ar o novo site do overclock.sh, feito na virada da noite anterior, e caçar, um por um, os bugs que a comunidade vinha reportando havia dias — principalmente no Windows, onde está 80% da base de usuários. Antes disso, a live já nasce explicando a mudança estrutural que motivou o projeto inteiro: o Claude Opus 4.7 ficou cerca de 35% mais caro em tokens do que o 4.6, e a saída encontrada foi construir uma ferramenta própria de orquestração de múltiplos terminais para plugar modelos chineses — a MiMo V2.5 Pro, da Xiaomi — dentro do fluxo do Cloud Code. A Xiaomi distribuiu 100 trilhões de tokens de graça para quem fosse aprovado no programa, e a comunidade, seguindo um passo a passo publicado no canal, começou a garimpar bolsas de 200 milhões a 1,6 bilhão de tokens por pessoa.
No meio da manhã o site fica lento demais para ser normal, e a causa aparece rápido: uma tentativa de ataque às próprias APIs, com picos de milhares de requisições por segundo. O time trata o episódio como "consultoria de segurança de graça": em vez de brigar com quem atacou, usa a pressão para fechar exposição de endpoints e adicionar camadas de proteção, argumentando que é melhor apanhar agora, com 37 usuários, do que mais adiante com a base madura. O susto vira uma pausa forçada — café, um pouco de lo-fi de fundo — antes de retomar o fluxo de trabalho.
A partir daí a live vira um mergulho técnico pesado. Como boa parte dos bugs só reproduz no Windows e ninguém do time usa Windows no dia a dia, a solução é alugar uma máquina Windows na nuvem só para debugar ao vivo dentro do ambiente real dos usuários. Dali em diante é um festival de correções: painéis que somem depois que a sessão é fechada (rastreado a um problema de criptografia), sessão que não desloga direito e prende o usuário logado, tema claro que não persiste, provider do Gemini que não é detectado, configuração do MiMo que se perde a cada novo build no Windows, atalhos que precisam ser reescritos porque Ctrl+V não é Cmd+V, terminal que passa a ser trocável (cmd, PowerShell, Git Bash), fonte e altura de linha ajustáveis, abas de workspace que agora podem ser reordenadas arrastando.
Em paralelo, o produto ganha um design system novo, construído a partir do layout recém-criado para o site, e a comunidade entra ativamente no processo: Bruno Falcão publica uma skill própria para ensinar o Overclock a orquestrar squads de agentes (worker pane, painel paralelo, guia de seleção de modelo), e a live vira palco de uma enquete perguntando se o novo site "tem cara de vibe coding" ou de projeto profissional de R$5 mil pra cima. Nos intervalos, o bot "Jarvis" responde sozinho ao chat, trocando piadas sobre futebol gaúcho com quem assiste — um respiro cômico numa maratona que volta a bater as 12 horas.
O dia termina com o release da versão 2.21 publicado para Windows, Mac e Linux, e o aviso de que a próxima parada é o layout novo de verdade — e que, com ele, o preço da assinatura provavelmente sobe. As metas do dia (500 likes, 500 membros no Discord, 50 assinantes do Overclock) ficam como pano de fundo o tempo todo, mas o que realmente definiu o dia foi transformar um ataque hacker e um Windows alugado em avanço real de produto.
